A vida que ninguém vê é uma fábula da vida real que comecei ler antes mesmo de sentir frisson por ter adquirido um livro da Eliane Brum. Uma autora que não é apenas detentora de mais de 40 prêmios e referência para todo jornalista, redator, aprendiz de escritor e pessoa que possui fascínio pela literatura do cotidiano e dos fantásticos anônimos, que se fazem mais interessantes que os famosos. Mas também, por ela ser um retrato delicado da palavra gente.

Comecei a ler a Vida que ninguém vê, antes mesmo de tê-lo em minhas mãos e sentir o seu cheiro de papel novo misturado com o da tinta gráfica. Comecei no dia que desejei descobrir todos os heróis, as rainhas e os pequenos desbravadores da realidade, e passei a imaginá-los sob o olhar sincero que Eliane tem e usa para revelar cada uma das histórias que ela começa a escrever dentro dela, antes mesmo de conhecer os personagens.

Comecei a ler. Parei. Pensei. Refleti os sinônimos presentes no mundo de Frida, na coragem de Camila, na fibra de David Dubin e no doce, e jamais esquecido, sonho de Adail. Voltei a ler. Não conseguia parar. Queria apenas sentir e imaginar cada uma destas histórias épicas que passam por nós todos os dias, sem percebermos. Por que? Estamos ocupados demais com outras histórias. Às vezes superficiais. Às vezes peças em palcos virtuais.

Comecei a viajar e não voltei mais, nem quando alcancei a página 200, a última do livro e o começo de uma história que ninguém vê dentro de mim. Uma reedição de valores e ideias que me fará ver como ninguém as vidas que antes apenas brincava de imaginar como seriam através da criatividade dos olhos meus e agora, ganham outros tons, outras vidas.

Um referencial que representa extrema relevância para redatores, criativos e estudantes de publicidade e propaganda é Redação Publicitária – Estudos sobre a retórica de consumo, de João Anzanello Carrascoza. O livro é um conjunto de 8 ensaios que analisam a prática da Redação Publicitária.

“Nem só as aparências enganam. A própria realidade, por vezes, é melhor, muito melhor, para enganar. Tampouco se pode negar que, para um enorme contingente de indivíduos, as aparências há muito valem pela realidade. Todos os dias, no território dominado pelo consumo, do real aparente e do aparentemente real, vamos encontrar intelectuais lançando farpas contra a propaganda, acusando de arte da falácia.“ CARRASCOZA, 2003, p. 145.

Carrascoza apresenta, sob uma nova ótica, os diversos elementos persuasivos da retórica de consumo apontando semelhanças da prática com outras formas de expressão, como poesia, haikai e discurso espiritual, ressalta a importância do método da associação de idéias para a elaboração um texto enunciativo.

“ Associação de idéias consiste numa forma de raciocínio em que uma idéia é ligada, mesclada, ou amalgamada, à outra. Para Aristóteles, as idéias podiam ser associadas por semelhança, contraste e contigüidade.“ . CARRASCOZA, 2003, P.15.

Na publicidade um termo só tem valor porque está em encadeamento, alinhado a uma cadeia de idéias, que justificam seu conceito, objetivo e disposição. E quando nos recorremos à associação de palavras é importante denotar que são chamadas de relações paradigmáticas, cuja sede está instalada no cérebro. A transposição das palavras da estação mental para o plano do discurso constitui um método construtivo que entre os profissionais da área costuma se chamado de “ Palavra-puxa-palavra”, muito utilizado por escritores, músicos e poetas, como Carlos Drummond de Andrade.

Carrascoza apresenta um método de análise textual para textos e peças publicitárias composto pelo discurso deliberativo de Aristóteles. A organização da análise é composta pelas seuintes ferramentas:

Exórdio: É a introdução, quando se anuncia o assunto que será abordado, visando captar o interesse do interlocutor;
Narração: Apresentação dos fatos, descrição das particularidades do produto, personagem ou conceito;
Provas: São associadas aos fatos e compõem a defesa do mesmo. Contudo, também aconselha para uma conduta futura, que claro, envolva o uso do produto ou conceito ali apresentado;
Peroração: É representada da conversão das três primeiras etapas. Ou seja, busca predispor o interlocutor a favor do anúncio; amplia e atenta para o que foi dito; exalta a paixão ou desejos do interlocutor e reformula o julgamento.

Estas ferramentas fornecem subsídios pra organizar as ideias, técnicas e objetivos que busca atingir com o texto, seja conquistar, envolver, vender ou persuadir.

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