Aquele do invasor
janeiro 27, 2011
Na calada da noite que nada de calada tinha, ele apareceu. Na mesa, uma designer com percepção apurada para tudo que é fofo, moderno e doce, um estudante de direito aspirante a chef, um planner com alma de cineasta e uma jornalista metida a redatora e social media jogavam stop.
A secretária executiva bilíngue com senso de urgência pra produção não participou desse pause. Preferiu descansar no seu cantinho antes do relógio marcar as 12 badaladas. Assim, não corria o risco de ter sua voz tamanha diminuída pelo feitiço da garoa, do vinho gélido ou dos gritos de stop que teria que dar para ficar à frente na soma de pontos.
O prêmio, por incrível que pareça, era uma nota de R$ 1,00 que há tempos a turma de mineiros insones não via por estes lados em que os judeus superam os brasileiros nascidos aqui. Nessa terra que não viu Jesus nascer, mas que chama por ele toda vez que um mar de água cai do céu abrindo caminho nas marginais. Entendeu agora como encontramos a nota?
- Stoooop… para voltar ao jogo que seguia numa empolgação incontrolável. Eram tiques nervosos ou movimentos bruscos que faziam que todos, de uma só vez, se preocupassem em ajeitar o cabelo, passar a mão no rosto e estalar os dedos? Nunca saberemos. Gritos, que mais pareciam urros vindo do âmago, eram a representação fidedigna da competitividade. Os traços cintilavam apressados nas folhas de anotações que eram protegidas com cuidado. Pedidos afoitos do tipo “ai meu Deus”, “eu não sei essa” e “Vamo pular?” ecoavam pela sala e provavelmente por todo apê e 11° andar do edifício Itapevi. Mas mesmo assim, ninguém se preocupou com a advertência do síndico que viria no dia seguinte.
- Stoooop!
Grita a designer toda descontrolada, descabelada, fora de si, para fora da cadeira e direto para debaixo da mesa. Ficamos por entender durante ¼ de segundo. Mas mesmo extasiados com o jogo e o fato do dia seguinte ser apenas o começo do fim de semana, percebemos um estranho em nosso ninho.
Ele apareceu coberto por um manto negro. Tinha unhas maiores que as do Zé do Caixão, olhos tão estranhos quanto os do Smeagol e acima de tudo, parecia ser bem maior do que realmente era, ou seja mais que 1,77 – a altura do grandão da turma.
- Stooop!
Deve ter sido isso que ele gritou para si sem emitir uma única palavra ou som ao se aproximar de nós. Não pensamos 2 vezes, corremos para cozinha desesperados com o intruso. Então ouvimos uma voz:
- Chamem o sindico. Ele resolve isso.
A secretária executiva acostumada a soluções práticas não havia sido enfeitiçada. Ainda tinha voz. Não como antes porque o sono já tinha a aveludado, mas que ainda conseguia dar orientações que, obviamente, não obedecemos.
- Stoooooop!
A aventura nos convidava com perigos que desconhecíamos e nem por isso nos rendemos ao medo. Queríamos colocar aquele intruso que deu um Stop impertinente no meio do nosso Stop – uma pílula nostálgica que nos permitiu parar no tempo dessa cidade que não para nunca e voltar para viver momentos de pura paralisia da responsabilidade, do senso crítico e de toda aquela babozeira que nos transforma em adultos obcecados para avançar no tempo.
A jornalista metida à valente buscou uma vassoura para espantar o invasor e na mesma hora o futuro cineasta pegou a câmera e começou a narrar a aventura trash. Ela bateu nele que ficou nervoso e passou girar na sala, como se fosse dele, abusado. Todos correram pra cozinha, mas alguns dos dedos do pé esquerdo da jornalista não chegaram a tempo. Foram fechados e tiveram as unhas amassadas. Mesmo assim ela não se abateu. Levantou e voltou a golpeá-lo.
E assim, ela batendo, ele reagindo e todos correndo pra cozinha, foi-se um longo tempo. Tão longo que parecia ter simplesmente parado pela forma como nos divertíamos com toda aquela situação. Um simples morcego atrapalhado conseguiu meter medo e descontrole em 4 adultos com mais de 1,60, exceto a designer que tem 1,54 – nosso chaveirinho.
Depois de nos cansar de tanto rir, de começar a sentir um pouco de preocupação com os vizinhos, nos unimos para tirá-lo janela afora. O plano foi idéia do planner, quem mais poderia ser? Ele passou o posto de cineasta para o Chef e pegou um balde. A primeira tentativa foi abortada após ele perceber como o bicho era feio. Na segunda, ele tentou e a jornalista e a designer ajudaram segurando o balde e colocando uma folha A3 para selar o morcego. Os 3 levaram o balde até a janela e soltaram o intruso sem mais imprevistos.
A história ficou gravada. Mas a pedido das meninas da turma que não estavam maquiadas, penteadas e nem atentas ao mineiiirês carregado no: “poooorta“, “pooorque” e “noiz vai“, o vídeo não entrará para o hall de mais acessados do youtube. Oh pretensão digital! Um sinal que já estamos entrando no ritmo de Sampa e logo alçaremos vôos mais altos que transformar nossas histórias em crônicas e criar algo realmente inusitado. Afinal temos quase uma agência em casa e muitas histórias reais, como essa, para inspiração. Só falta a impressora.
As aventuras de uma redatora em busca de desafios
dezembro 7, 2010
I Capítulo
Este artigo é sobre mim, meu salto profissional em Sampa e minha aventura pessoal ao trocar o marasmo de uma vida mineira e o aconchego da rotina de uma família simples por um abraço no novo. Não aquele em que começamos do zero e tudo bem. Mas sim, aquele em que podemos apalpar antes mesmo de perceber que é novo.
Isso mesmo. Fui abraçar uma vida nova com Daniela Daia, Gustavo Pires e Juliana Laterza, amigos, companheiros de mercado e futuros famosos, cada um com seu talento. Eu – jornalista, redatora, blogger e social media, pretendo me tornar uma grande redatora, escritora infantil e uma colunista à nível de Eliane Brum. Dani sonha em ser pop star e tem voz, carisma e talento para isso. A Ju é, sem dúvida, uma grande profissional de design, e como qualquer um de nós, sonha em ser ainda maior e deixar sua marca doce e consistente por onde passar. E Gu? Aaah! Esse dispensa comentários. Sonha em ser cineasta, mas tenho certeza que tudo que se propor a fazer será grande porque já nasceu criativo.
Acho bom avisar, vai que…você tem uma reunião importantíssima, um job pra finalizar, um arquivo pra mandar com urgência para a gráfica e perde os próximos 10 minutos descobrindo as frustrações medos e conquistas que venho cultivando durante estes 36 dias que estou morando e trabalhando no centro da criatividade brasileira. Terra de culturas mil, de oportunidades infindáveis e de contrastes nus e crus. Mais nus que crus, levando em consideração a pouca roupa dos personagens que vagam pelas vias da metrópole como nômades em busca de respostas. Mas o que se ouve é só silêncio. A sociedade fica muda, prefere fingir, ignorar, achar que eles são apenas artigos feios, sujos e assimétricos à realidade. O porquê eu ainda não descobri. Talvez daqui 1 ano possa entender melhor de onde vem a virtude ou a conveniência de enxergar apenas aquilo que é belo e promissor aos olhos.
É tudo tão frenético que nem mesmo há tempo para nostalgias, apegos ou dramas causados por perguntas e inseguranças fúteis. Aliás, toda insegurança é fútil já que limita nossa mente a acreditar que você ou algo é menor, menos interessante ou não irá alcançar os prazos estipulados por sistemas de organização que buscam a praticidade, mas no fim deixam tudo mais burrocrático.
Acordo às 6:45 da manhã com o beep-beep do meu celular. Olho pela janela e vejo o elevado para conferir o tempo. Se assistiu Cegueira irá se lembrará dele…
Continuando…me arrumo, como sucrilhos e fico vigiando o relógio para não abusar do tempo que sobra. Em 15 minutos saio com a Juliana Laterza para pegar o primeiro ônibus do dia. Isso mesmo, com a Ju Laterza. Moramos e trabalhamos juntas. Coisas da vida. Mas isso é assunto pra outra crônica.
E lá vamos nós, no Butantã – USP semi-lotado. Semi porque sento na frente. Quando não tem idosos, portadores de deficiência, ou gravidas, é lógico. Afinal, aqui o povo leva a sério o atendimento e direitos preferenciais. E quem se atreve a desafiar sempre leva vaia e ouve indiretas super diretas do tipo: – esse lugar é mais meu que seu, você sabia?
Chegamos na R. Cardeal Arco Verde e ali esperamos 10 minutos pelo Berrini. Ele nos deixa praticamente na porta do nosso trabalho, que fica na Av. Faria Lima, o financial center de São Paulo. E mesmo com o termômetro marcando trinta e cinco graus, vemos homens lindos de morrer vestidos elegantemente com terno e gravata e mulheres de saia e meia-calça preta fio 40 andando para lá e para cá como se tivessem saido de um blockbuster americano.
Às 9h estamos no trabalho. Ligo o Mac que odiava usar na faculdade por considerar a plataforma confusa. Se o Andreozzi ler esse texto vai pensar: Eu avisei! – sobre o uso de mac’s em agências de sampa.
Redatora e social media metida a tráfego de informações. Mas antes que isso vire trend topics nas rodas de blá blá blá de amigos e familiares em Zebu city, saiba que é apenas um sistema de organização e que eu continuo produzindo conteúdo.
Meio-dia o estômago avisa: – É hora de comer. A equipe criativa almoça unida em restaurantes próximos à agência. É mais prático para os abençoados pés que nos sustentam o dia inteiro e claro, o nosso bolso.
Barriga cheia, pé na areia. Não é assim que dizem? Trabalho até às 19h – Hora do rush. E por isso, chego em casa apenas 1 hora e meia depois. No caminho vou ouvindo a Ju ou Jammie Cullum, Laura Pausini, Camille e Yann Tiersen. Assim passa mais rápido. Nem percebo que a noite já está negra e a luna blue. É quando os nômades ficam mais aflitos e nós mais afoitos. Eles por comida, bebida, drogas, descanso e nós também. A única diferença é que temos dinheiro para custear tudo isso, óbvio.
E a história se repete até quinta-feira. Porque na sexta-feira temos um plus – encerramos o expediente às 18h. Mas é evidente que todos os dias acontece algo inusitado que me faz ter ainda mais certeza que fiz a escolha certa vindo pra Sampa, arriscando apenas colecionar frustrações. Algumas mais fáceis de esquecer, outras nem tanto. As nem tanto vocês sabem…sempre envolvem coração ou carreira. Mas…Ces’t la vie. Vivendo, levando tombo, levantando….aprendendo e fazendo a diferença para si e para quem acredita na sua história, que é o que importa.
Memórias essenciais do mundo corporativo
setembro 16, 2010
As minhas experiências profissionais precisam de backup e do desapego para esquecer as cicatrizes.
Este texto é sobre minhas desventuras no mercado trabalho. Sinto-me na obrigação de avisar para que não perca tempo com as cicatrizes alheias e possa voltar a sentir as suas cutucarem o peito, em protesto – para que você fale, compartilhe, desabafe e deixe de andar sob a sombra das lembranças e fatos que assombram sua rotina corporativa e, talvez, sua paz interior.
Desde que entrei no mercado de trabalho, eu sonho em ser uma grande profissional. Não sabia ao certo como faria para alcançar essa meta, além é claro, da graduação em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo, de cursos de aperfeiçoamento e da prática. E sendo uma jovem da geração Y, tempo foi, e ainda é, muito importante para que essa meta fique sempre à um passo da realidade e à uma légua de distância da ambição mal planejada e, às vezes, desenfreada.
A primeira estratégia foi viajar pelas vias do meu eu. E lá dentro do meu mundo interior, eu deveria escolher – escutar o coração e investir no talento com as palavras e a paixão pela criativa arte da publicidade ou optar pelo caminho comum e travar batalhas contra egos, algozes, donzelas e dragões alimentados por interesses e vaidades para um dia ser âncora de um telejornal do horário nobre da TV aberta. Detalhe: essa era minha visão do jornalismo há quatro anos atrás. Hoje a percepção é outra, bem mais inteligente.
Escolhi a primeira opção: as palavras e a paixão. Afinal, como diria Confúcio, que de “Confúcio” só tem o nome – “Escolha um trabalho que você ame e não terá de trabalhar um único dia de sua vida”. E acredite, isso é possível. Mesmo diante do atual contexto em que vivemos. A competitividade, o compromisso com as necessidades básicas, as grandes ofertas e o plano de carreira dos sonhos podem influenciar, não nego. Mas jamais corrompa essa escolha quando ela passa a fazer parte de você.
A segunda estratégia foi descobrir em que direção os bons ventos do mercado sopravam. E eu me surpreendi ao perceber que os ventos vinham em minha direção, trazendo, entre outras coisas, um novo desafio. Decidi aceitar. Não sou de desistir. Faço o tipo determinada, forte e convicta. Mas não por pose social. Eu sou assim: oito ou oitenta. E acredito que deste modo, eu consigo espantar a “dúvida” o “medo” e a “insegurança”.
Correr riscos é imprescindível. Não há como conquistar oportunidades e tirar lições de vida sem antes arriscar. Não é fácil. E se fosse não teria a menor graça. Por isso encarei o desafio e fiz o possível para transformar os ensinamentos que estava tirando nas aulas de jornalismo em caminhos para aplicar nas estratégias e conceitos que desenvolvia como redatora em uma das agências mais tradicionais de Uberaba.
O começo foi tênue. Estava vislumbrada com o ambiente, as possibilidades e até mesmo, com o fato de trabalhar com profissionais de alto potencial. Isso talvez tenha limitado minha visão. Não enxerguei o todo como deveria. Estava vendo somente o que queria: um conto de fadas em que eu era a Wendy – contadora de histórias, o diretor de criação – Peter Pan e a tráfego de informações – Sininho.
E como todo conto de fadas, este teve um final. Não como os famosos “felizes para sempre”. O desfecho teve um tom prático. Fui dispensada. Mas não entendia porque. Todos podiam apontar os motivos que eu não conseguia enxergar. Postura. Já não vestia mais a camisa da empresa. Talvez não combinasse mais com meu estilo ou não ficasse bem com o plano de carreira que eu tinha desenhado.
Os traços que notava em comportamento eram intolerância, insatisfação e falta de aderência. Assim como a incredulidade ao pensar que isso tenha sido o meu cartão de saída. Foi uma pena. Aprendi a ter uma postura profissional coerente e a controlar minhas emoções de maneira inteligente da pior maneira, com meus erros. Antes tivesse aprendido vendo os erros dos outros. Mas não tinha nada que se assemelhasse. Eu era inédita. Aliás minha atitude foi inédita e inconveniente. Parecia uma Che Guevara de saia pronta para estourar uma revolução com os companheiros e depor os gestores.
Fazer o quê? Ces’t la vie. Um teatro. Está aí. Teatro foi um nome que a vida não recebeu na devida acepção da palavra. Mas bem que poderia ter recebido. Já que é nela que o homem provido de fantasias, marcação de cenário, roteiro e de máscaras, apresenta cotidianamente o seu espetáculo. A preposição foi abordada por Erving Goffman no livro: ” A representação do eu na vida cotidiana”, lançado na Inglaterra, em 1959 e traduzido para português em 1985, pela editora Vozes.
Por ironia do destino, já havia lido Goffman e colado grau. Mas não teve jeito. O melhor a fazer era terminar o conto, pegar a caixinha, colocar minhas coisas, lembranças e lições não aprendidas no banco da faculdade e, hoje, sei que são tão ou mais valiosas porque sustentam os meus propósitos e valores profissionais, em busca de novos desafios.
Estas são as cicatrizes. Abro-as com a intenção de constituir o “ser errante” a servir de exemplo. Dói? Sim. Cicatrizes abertas sempre doem. Mas hoje, ao compartilhar estes aprendizados, estou costurando-as para que sumam com o tempo. Sempre somem. É a lei da vida. O tempo toma conta e com ele vem a sabedoria pelo reconhecimento dos nossos erros. Corrigir, evoluir e enfim, conquistar tudo aquilo que desejamos.
Aquele do “We’re the Champions”
agosto 5, 2010
Comecei a manhã de 16 de julho do mesmo jeito que terminei a de ontem, do avesso. Não consegui pregar os olhos. O sono veio, mas a mente queria feedback para provar novas doses de alegria, de satisfação e orgulho. Tentei contar novilhas, depois tourinhos. Mas não deu. Então, parti para o plano B. Tentei tomar leite quente, fiquei com ânsia. Fui olhar a noite, só vi gatos pulando em meu quintal. Liguei a TV. Zappiei. Nada interessante. Rezei e dormi.
Horas depois, já na agência organizei os meus jobs pela prioridade e dei início a viagem criativa. Mas quando estava à caminho da porta de embarque, vejo movimentação na sala do atendimento. “As meninas”, como são carinhosamente chamadas nossas analistas de contas, saem rumo ao Brazilian Cattle para conhecer o resultado da concorrência.
A partir dali, minha viagem parou. Tomaram minha passagem, confiscaram meu passaporte. Os agentes, pra lá de psicodélicos, alegaram que não estava concentrada pra uma viagem tão profunda, que deveria ir embora, me acalmar e voltar quando estivesse quase eufórica.
Foi o que fiz. Postei novos artigos no blog, assumi o mural Nativa, atualizei o twitter, respondi emails e dei feedback para os fornecedores. Às 10h30, quando sobrou expediente no fim dos meus jobs, a programação da rádio nativa foi interrompida e meus ouvidos se voltaram pra o ruído, que era na verdade um mix de vozes. Então Cris anuncia com alegria, entusiasmo e ritmo:
- Rá rá rú rú, o Brazilian é nosso! Rá rá rú rú, o Brazilian é nosso!
Então os efeitos da espera pelo resultado da concorrência foram embora dando lugar a outros, favoráveis à minha saúde, como: coração disparado, riso de orelha a orelha, brilho nos olhos, tranquilidade e êxtase. Ouvia se palmas, risos, gritos de guerra e pés saltitando.
Como é bom sentir os sintomas da conquista e não precisar de remédio pra espantar o estresse, de médico pra atestar o estado psicológico ou ainda, de sofá pra descansar a mente e os dedos que trabalharam pra levar ideias inteligentes e descomplicadas para as peças da proposta apresentada.
O peito está inchado. Mas isso não é por conta do ego, que ás vezes tentar ficar maior do que pode. Ele sabe muito bem que seu formato não deve ser mini, nem mega, mas special. O peito expansivo é culpa do coração, que está altivo, alegre e orgulhoso pela vitória expressiva. E competir com outras agências sempre traz uma emoção a mais. Sabe como é né? Vencer uma avaliação de potencial estratégico e criativo sem concorrentes é bacana, mas, superar outras propostas é um desafio que instiga o desenvolvimento de ideias, soluções ainda mais ousadas e práticas.
Parabéns a todas as agências participantes, e antes de tudo, aos Nativos pela categoria, estratégia e criatividade. We’re the champions!
Aquele da concorrência
agosto 5, 2010
Ao começar desenvolver os meus jobs na manhã de 15 de junho, eu virei do avesso. Estava concentrada, medindo os significados e os sinônimos das palavras de um texto para o blog da agência ao som de “Nel modo più sincero che c’è” de Laura Pausini, e em uma fração de segundos troquei a introspecção serena pela ansiedade perturbada.
Andréa Florentino (analista de contas) depois de orientar com detalhes a criação de um job, sai em direção da porta, mas mal a fecha. Dá meia volta. Faz uma expressão estranha que tento decifrar com os conhecimentos que conquistei nas aulas de “O corpo fala” do Prof. André Azevedo. Mas o máximo que consegui concluir é a sua euforia através do risinho de lado, dos pés dançando, cabelo em movimento e o gesto de esquecimento.
Não tive a oportunidade de fazer uma análise mais inteligente porque começou logo a dizer:
- Gente! Amanhã sai o resultado da concorrência!
Imediatamente, minha perna direita ganhou vida própria, balançando pra cima e para baixo. Meu estômago trocou de lugar com o coração e passou a mover o suco gástrico, o bombeando pra todas as extremidades do meu corpo. Os dedos da mão esquerda se enfiaram no cabelo em um movimento compulsivo. Eles fingiam estar ajeitando as madeixas que estavam no olho, mas na verdade queriam ficar ali, se escondendo para não serem estralados. Os dentes passaram a morder o lábio inferior. Os olhos de perderam no vazio, imaginando qual seria o resultado.
Andréa volta para a sala do atendimento e eu não. O tempo passa, resolvo os últimos jobs da agenda, tomo café, twitto fatos, dicas e mensagens para os meus seguidores. Mas continuo do avesso. A perna está cansada de tanto balançar, o cabelo desgrenhado pelos dedos que não queriam deixá-lo em paz. O estômago experimenta o 3° comprimido de omeoprazol, mas continua insano, desejando o gosto vitória. Os olhos estão menos distantes, mas continuam reflexivos, como se estivessem viajando pelo futuro e idealizando o amanhã.
Agora são 18 horas, o expediente chega ao fim. Mas sei que a noite será longa. Talvez eu durma e esqueça a ansiedade, ou ainda posso passar a noite insone, vendo TV, anotando todas as atualizações web que farei se vencermos e, claro, as soluções que poderei criar em nível internacional.
Melhor eu parar por aqui, salvar esta crônica, desligar o PC, pegar minhas coisas, e ir logo embora, antes que tranquem a agência e me esqueçam aqui. Amanhã me desviro. Só espero que não seja pra aceitar a perda, mas sim, pra comemorar mais uma conquista pra lá de importante para a equipe Nativa.
Em breve… Cenas do próximo capítulo.
De entendida a Nativa do meio rural
agosto 5, 2010
Desde pequena, eu ouço histórias do agronegócio. Não imaginava que a agricultura, a pecuária e o abastecimento tinham este pseudônimo profissional, até adquirir senso crítico sobre o setor. Não demorou muito sendo natural e residente da capital do Zebu, neta de ex-produtores rurais e fascinada pelas raízes, pela cultura caipira e os valores que transformam a atividade na maior engrenagem do desenvolvimento brasileiro.
Antes de descobrir estes sinônimos e significados do meio rural, agronegócio pra mim era simplesmente a roça. Um mundo que desperta minha imaginação através das histórias que a minha vó Antônia conta. Uma doce mistura de país das maravilhas, Sítio do Pica Pau Amarelo, O Diário de Anne Frank e os versos de Carlos Drummond de Andrade.
Ela nasceu e viveu na colônia italiana da fazenda, onde seus pais e ela trabalharam durante muitos anos. Não brincou de boneca, foi mãe aos 15 anos. Não foi a escola, ensinou aos seus amigos e filhos as mais importantes lições da escola da vida. Não leu Moreninha. Não ouviu Louis Armstrong. Não sabe quem foi John Kennedy e Janis Joplin. Mas a cultura que possui é mais preciosa, pois conquistou através de vivências.
Parece mágico. De fato é. Você vive toda a infância ouvindo grandes aventuras de uma senhora, que antes de ter seus 78 anos, foi uma garota corajosa que enfrentou cobras e domou cavalos bravos. Um certo dia você entra para a equipe da maior agência especializada em agronegócio de Minas Gerais: a Nativa Propaganda e Marketing, e passa a escrever as histórias ou ao menos usar as palavras pra revelar a trajetória dos maiores personagens do meio rural.
Um momento profundo, pelo trabalho e o simbolismo. Traçar com palavras, poesia e, às vezes, termos técnicos, as lutas e os sonhos que levaram o Brasil a liderança das exportações, das pesquisas em biotecnologia e de fornecimento de alimentos, além de uma grande responsabilidade, é também, um encontro com minhas lembranças. Parece ironia dizer isso diante do nosso contexto. Mas prefiro pintar este quadro com otimismo e acreditar que a tecnologia e a presença que o país tem desempenhado no cenário internacional podem sim fazer a diferença.
Agora, completo 7 incríveis meses na Nativa. Parece que foram 7 anos. Fiz textos que transformaram minha percepção, conheci investidores rurais, viajei por fazendas, participei de eventos e vi novos capítulos da história da pecuária serem escritos bem diante dos meus olhos. Hoje, sou uma colecionadora de personagens. Passei de entendida a nativa do meio rural. Mesmo que tenha o muito o que aprender, tudo o que já aprendi está dando outro sentido à uma nova Juliana Talala.
Aquele do clone
dezembro 17, 2009
Dizem por aí que todos nós temos uma pessoa que é a nossa cara, e que às vezes se parece mais conosco do que nossos próprios pais e irmãos. Sempre achei tudo isso uma grande uma besteira. Teorias baratas de quem passa a vida assistindo a muitos daqueles filmes de ficção científica, como “O sexto dia”, com Arnold Schwarzenegger.
Tive que mudar de ideia. Apenas não imaginava que isso fosse acontecer em uma entrevista pra integrar a equipe criativa da agência Futura Comunicação.
Era uma sexta feira, 7 de março de 2008, e mesmo que preferisse ir com a camiseta do snoopy, calça jeans e o meu eterno companheiro de labuta “All Star”, vesti um traje social para causar uma boa impressão. Toquei a campainha. A recepcionista me recebeu e pediu que eu esperasse no hall. Os ponteiros do relógio não paravam de dar voltas. Estava ali há 30 minutos e já tinha roído todas as unhas, só faltavam as dos pés. Até que surgiu uma moça muito simpática. Foi ai que descobri que tinha uma sósia, se chama Daniela Daia e exercia a função de tráfego de informações.
Como entrevista é um momento tenso, vou pular esta parte. A boa notícia, entrei para a equipe.
No começo não botava fé na nossa semelhança, mas todo dia aparecia um que me confundia com ela, me abraçava nos corredores, dava tchauzinho pelo vidro da sala de criação, buzinava na rua e perguntava se éramos primas, irmãs ou gêmeas.
Isso passou a acontecer com tanta frequência que cansamos de dizer para moça da padaria, para o atendente do banco, para os músicos da noite e até para aquele morador de rua que sempre nos cantava, que não éramos “parentas”. Então resolvemos adotar uma a outra como irmã. Assim evitávamos looooooongas explicações sobre nossa semelhança misteriosa, que de misteriosa tem nada. É corte de cabelo, armação de óculos, estilo das roupas e alguns traços de personalidade em comum.
Aquele em que tudo começou
dezembro 15, 2009

Era segunda-feira, só não lembro de que mês e ano. Apenas lembrei que foi numa segunda-feira porque é um ótimo dia pra começar qualquer coisa. Seja uma dieta, uma promessa, um projeto, um novo rolo com aquele brotinho da faculdade ou até mesmo um novo problema.
Acordei no horário, tomei café e fui para a agência, como em todos os dias, de segunda a sexta. Tudo parecia normal, até eu começar a observar as pessoas. Imaginar o que passava na cabeça delas, quem eram, se assistiam Cavaleiros do Zodíaco, se andaram de patins na adolescência e se tiveram um apelido que odiavam.
Três pontos depois de minha viagem analítica começar, um vendedor das Casas Bahia sobe no ônibus se achando um Don Juan de Marco. Usava óculos escuros, mas o céu tava nublado. Tinha mais gel no cabelo que John Travolta em Embalos de Sábado à noite.
Ele senta-se ao meu lado e começa com seus galanteios. Logo eu que uso óculos, mesmo que seja um destes que estão na moda, que seja simpática, mas no fundo tem uma alma nerd. Resumindo… uma quase Betty, a feia.
As bochechas ficaram rosas, eu não olhei no espelho, mesmo porque não tinha um em mãos, mas sabia porque estava sem graça com as cantadas dele, principalmente por serem daquelas tipo “pedreiro”. Oh, um aviso aqui: Tenho nada contra a classe, mas convenhamos, não são criativos quando querem cantar uma mulher.
O episódio foi tão interessante que logo escrevi a “A crônica da distração”, tendo como referência Luís Fernando Veríssimo, mestre na modalidade de usar as palavras e o humor pra recontar o cotidiano.
Depois desta escrevi outras em formato de cartão de aniversário e cartão de despedida para meus colegas de trabalho. Agora quero voltar com elas, e para isso pego emprestado o “aquele” do seriado Friends para dar título a cada um dos episódios que aparecer por aí… Na minha frente, seja no supermercado, fila de banco, na agência e no buzão, que sempre rende muitas histórias, daria até mesmo um livro. Quem sabe um dia… Quando eu for gente grande. Enquanto isso… Vou guardando cada uma delas aqui no meu blog pra você conferir.
Crônica do buzão
setembro 25, 2009

O melhor passatempo que existe é ficar observando as pessoas à sua volta. Imaginar seus nomes, idades, profissão, estado civil, quantos filhos têm, se são capricornianos ou taurinos, se leram o Holocausto ou Doce veneno de escorpião.
A maioria da vezes em que utilizo transporte coletivo e que não tenho nenhuma revista, jornal ou música para me distrair, eu adentro em um mundo à parte. Crio personagens e histórias baseando nas características físicas, postura e vestimenta.
Na última quarta-feira peguei o ônibus 104, do itinerário Boa vista/volta Grande, às 09h00minh. Como toda canhota, me sentei do lado direito para deixar o lado esquerdo livre, caso tenha que realizar algum movimento que exija velocidade e reflexo. E para conseguir descer no ponto certo sem obstáculos optei pela terceira poltrona antes da porta de saída.
Olhei para os lados, ninguém olhava para ninguém, ninguém dizia nada. Devia ser o horário, provavelmente haviam acabado de acordar, e talvez alguns nem mesmo tiveram tempo de tomar o café.
Sentada em minha frente uma moça de estatura média, cabelos cacheados, tipo Maria Fernanda Cândido, lia compenetrada “ Verônica decide morrer”.
Então imaginei…
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É nisso que dá competir com o Deus da Criação…
setembro 25, 2009

É… Como diz Adilson Xavier em seu livro “ O Deus da Criação“, não dá pra competir com Jesus. Um sujeito que usou apenas a sua oratória como ferramenta para prospectar a fé de milhões e milhões pessoas e que juntou uma reta horizontal a uma reta vertical e formou a logomarca de maior penetração e memorização da história da humanidade.
Mas eu, muito teimosa, como toda capricorniana, fui aprender isso depois de um longo tempo. Em outras palavras, somente depois de comemorar vinte e tantos aniversários sozinha e de perder a atenção dos colegas de trabalho, família e amigos diante de um insight, uma idéia e uma notícia para questões de maior divindade e polêmica como a tal da reencarnação e a legitimidade da Bíblia.
E por mais que eu tentasse manter o foco, a pauta era sempre a mesma no happy hour, na reunião de criação e no intervalo, onde as discussões se tornavam verdadeiras batalhas com direito a mediador e a defesa. E eu como sempre, vencida, mostrava indiferença sobre estas questões e saía à francesa. Em meus aniversários tudo era um pouco pior. Mas esta é uma história que começou há muitos anos atrás, bem antes mesmo de lançar a minha alma em um novo formato.
Lá em cima, onde eu já argumentava o processo que controlava os departamentos do Reino dos Céus, a minha Sina com o Diretor de Criação da Terra começou a ser rafiada. Mas tudo o que queria mesmo era entender os porquês de certas coisas, como: a hierarquia do reino, o sexo dos anjos, a reencarnação, e é claro, os princípios e as técnicas publicitárias utilizadas por Jesus para propagar os seus ensinamentos e valores.
Sem receber um feedback que pudesse eliminar as minhas dúvidas fui encaminhada para o departamento de shirinque, onde minha alma seria anexada a um corpo, que para meu azar nasceria em 25 de dezembro. Ou seja, durante toda minha vida N° 5, eu teria que competir a atenção de meus entes queridos, até então desconhecidos, com O Todo Poderoso.
E assim foi…
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